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Coronavírus pode causar ‘genocídio’ de povos indígenas do Vale do Javari, no AM, diz representante de comunidade

Por G1 AM

 

Diante do avanço dos casos de coronavírus entre a população indígena do Amazonas, o procurador jurídico da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Eliésio Marubo disse que é esperado o genocídio da comunidade, ou seja, extermínio parcial ou total desses povos.

Índios da etnia korubo do Vale do Javari. — Foto: Divulgação/Funai

Índios da etnia korubo do Vale do Javari. — Foto: Divulgação/Funai

O Amazonas registrou, até esta quinta-feira (4), 46,4 mil casos confirmados da doença em todo o estado, sendo 668 em indígenas, segundo boletim epidemiológico divulgado pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM). Só no município de Atalaia do Norte, que concentra 85% das terras indígenas do Vale do Javari, já são 89 casos confirmados de coronavírus, sendo dois em indígenas, de acordo com o último boletim da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS AM).

À medida que o novo coronavírus se espalha entre os povos indígenas cresce também a preocupação de que comunidades indígenas sejam extintas pela Covid-19. O procurador jurídico da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Eliésio Marubo disse que uma ação já foi feita para cobrar das autoridades competentes medidas para evitar a propagação do vírus.

“Nós já estamos trabalhando numa forma de instar as autoridades a justificarem porque esse contágio aconteceu e qual o plano de ação, como será desenvolvido. Com o ingresso do vírus na nossa comunidade vamos esperar uma grande mortandade de pessoas. O genocídio já está anunciado no Vale do Javari e a partir de agora vamos contabilizar os corpos”, contou.

Na ação, o procurador pede o afastamento de pessoas ao convívio da comunidade, como missionários e, se for preciso, que se faça uso de autoridade policial ou militar para isso.

“A nossa maior preocupação hoje é resguardar os interesses das comunidades indígenas”, concluiu.

Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), medidas foram adotadas para evitar a propagação do novo coronavírus.

Com relação à restrição de acesso às Terras Indígenas, uma portaria assinada em março estabelece medidas temporárias de prevenção à infecção e propagação do novo coronavírus. Dentre elas, está a suspensão por tempo indeterminado das autorizações para ingresso em Terras Indígenas, bem como de todas atividades que impliquem o contanto com comunidades indígenas isoladas.

Segunda maior terra indígena demarcada

A terra indígena Vale do Javari tem área de 8,5 milhões de hectares e faz fronteira com o Peru. É a segunda maior terra indígena demarcada do Brasil, atrás apenas da Yanomami, de 9,6 milhões de hectares de extensão.

Servidores da Funai consideram a base de Ituí, atacada em novembro, como fundamental para a proteção da terra indígena. Dos 28 registros confirmados de índios isolados no país, 10 estão no Vale do Javari.

Na região, vivem mais de cinco mil índios de sete etnias: marubo, mayoruna, matís, kanamari, kulina, korubo e tsohom-djapá, além de dezenas de grupos de índios isolados.

*Com informações de Roney Elias, da Rede Amazônica

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