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Carta de lideranças do Vale do Javari ao Ministro da Justiça denuncia aumento do assédio missionários e pede reconsideração da nomeação do pastor Ricardo Dias

Indígenas da Amazônia aumentam críticas à Funai e ao Ministério da Justiça

Sete etnias enviam carta a Moro condenando assédio de evangélicos na região do Vale do Javari, terra indígena com mais registros de povos isolados do mundo

Por Matheus Leitão – Atualizado em 15 abr 2020, 16h43 – Publicado em 15 abr 2020, 15h24. VEJA

Povos indígenas do Vale do Javari, território com maior quantidade de registros confirmados de índios isolados do mundo, aumentaram o tom das críticas à Fundação Nacional do Índio (Funai) e ao Ministério da Justiça nesta quarta-feira (15), especialmente em relação ao crescente assédio de grupos evangélicos missionários.Cerca de 130 lideranças de sete etnias (Marubo, Matses, Matis, Kanamari, Tsohom Djapa, Kulina Pano e Korubo), que representam 63 aldeias da Terra Indígena Vale do Javari, assinam uma carta ao ministro da Justiça, Sérgio Moro, na qual demonstram várias preocupações sobre a atual política da Funai, subordinada à pasta.A mais sensível delas, segundo a missiva, é o fato de que “informações confidenciais sobre a localização dos índios isolados poderão ser expostas para grupos fundamentalistas ou até mesmo para outros interessados que têm esse desejo” no território do Vale do Javari. 

A terra indígena fica situada na região amazônica e tem fronteira com o Peru, ao fim de uma área de 8,5 milhões de hectares. É a segunda maior terra indígena demarcada do Brasil, atrás apenas da Yanomami, que possui 9,6 milhões de hectares de extensão. 

A título de exemplo, os Korubo, um dos povos que assinam a carta, são considerados de recente contato e possuem grupos que foram contatados em quatro momentos distintos (1996, 2014, 2015 e 2019), passando a ter convívio com a Funai e parte da sociedade brasileira majoritária. Esses contatos, normalmente traumáticos para esses povos, são resultado de situações extremas que levam a uma intervenção de especialistas.

Dos 28 registros confirmados de índios isolados no país, 10 deles estão neste território, o que atrai a atenção de especialistas de diversos países. As informações sobre a localização desses índios isolados está restrita a um grupo de técnicos e indigenistas com longa experiência na temática dos indígenas isolados. 

Desde fevereiro, a preocupação das etnias do Vale do Javari aumentou em grau extremo. Isso ocorreu após a nomeação de Ricardo Lopes Dias, escolhido para chefiar a Coordenação-Geral de Índios Isolados e Recém Contatados da Funai.

Formado em antropologia e teologia, ele atuou como pastor e missionário por anos na Missão Novas Tribos do Brasil (MNTB), organização que prega a evangelização de todos os indígenas que nunca tenham ouvido o evangelho, os “povos não alcançados”, como eles denominam. Processos judiciais já discutiram a tentativa da MNTB de camuflar seus objetivos religiosos de evangelismo nas aldeias com ações de educação e assistência.

‘Grave retrocesso’

O Ministério Público Federal tentou sem sucesso suspender a nomeação de Ricardo Dias Lopes da coordenação-geral de índios isolados da Funai. A juíza federal Ivani Silva da Luz, da 6ª Vara do Distrito Federal, negou o pedido. 

Na semana passada, o MPF voltou a pedir suspensão da nomeação tendo em vista novos fatos que afrontariam o próprio regimento interno da Funai, como uma normativa editada no órgão no contexto das ações de contingência do coronavírus, possibilitando contatos com grupos indígenas isolados. O MPF diz que Ricardo Dias, como coordenador-geral da área de índios isolados, foi “no mínimo omisso, para não dizer conivente”.

A carta ao ministro da Justiça, enviada nesta quarta (15), surge no mesmo momento em que o MPF pede a reconsideração da decisão da nomeação do pastor e missionário para o posto considerado mais técnico da Funai. 

 

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