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Área com mais índios isolados no mundo, Vale do Javari tem quatro agente de saúde com coronavírus

ÁREA COM MAIS ÍNDIOS ISOLADOS NO MUNDO, VALE DO JAVARI TEM QUATRO AGENTES DE SAÚDE COM CORONAVÍRUS

Profissionais atenderam ao menos cinco aldeias em região no Estado do Amazonas antes de terem o diagnóstico confirmado para Covid-19
Terra indígena Vale do Javari, no Estado do Amazonas Foto: Adam Mol/Funai
Terra indígena Vale do Javari, no Estado do Amazonas Foto: Adam Mol/Funai

Quatro agentes de saúde que atuam em ao menos cinco aldeias na Terra Indígena Vale da Javari, região com a maior concentração de povos isolados do mundo, testaram positivo para o novo coronavírus. Eles foram removidos da aldeia São Luís, onde faziam atendimento a índios da etnia Kanamari.

“Ele tiveram contato com vários indígenas, a probabilidade deles estarem infectados é muito grande. Nosso medo é agora se  espalhar por outra aldeias”, afirma Manoel Chorimpa, representante da  União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). A informação foi  confirmada à ÉPOCA pela secretaria de saúde de Atalaia do Norte, município para onde os agentes serão levados.

De acordo com Chorimpa, um dos agentes atuava também na aldeia  Flores e também teve contato com índios da etnia mayoruna. Somadas as aldeias São Luís e Flores têm aproximadamente 350 habitantes. Os três profissionais do Distrito de Sanitártio Especial Indígena (Dsei) do Javari, que não são indígenas, devem chegar ainda nesta quinta-feira em Atalaia.

No sábado, ÉPOCA mostrou que a região estava na iminência de  apresentar as primeiras contaminações de indígenas em aldeias do Vale  do Javari depois que a Dsei local ignorou protocolo de quarentena ao levar dois korubos recém contatados para a base de proteção no rio Ituí-Itacoaí, porta de entrada para a Terra Indígena, onde há maior fluxo de  ingresso para as aldeias.

SUBNOTIFICAÇÕES E ERRO DE CÁLCULO

A Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e as entidades  representativas desses povos divergem em relação aos números de casos  e mortes de indígenas por coronavírus. Levantamento feito por ÉPOCA junto à Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) mostra que o  número de óbitos de índios é três vezes maior do que o divulgado pelo  governo.

Enquanto a Sesai registra 70 óbitos e 1.737 infecções, a APIB já soma  211 mortes e 2.178 casos até o momento distribuídos em 83 povos de 15 estados do país. o Amazonas é responsável por 60% dos casos (129) seguido do Pará (35), Roraima (15), Permambuco (10) e Ceará (8). A Sesai não contabiliza os casos de índios que moram em contexto urbano ou não aldeados.

A taxa de letalidade da Covid-19 entre esses povos está em 9,6%, uma vez e meia maior do que a da população brasileira (6,5%), apontada como uma das mais altas do mundo. Mas como há subnotificação dos casos, é possível que esses números sofram alterações.

Em nota, a Sesai questionou o dado divulgado por ÉPOCA sobre a taxa de letalidade, porém, a secretaria apresentou um cálculo para a taxa de mortalidade,  feito de maneira diferente, pois leva em conta o número total da população indígena e não o total de óbitos.  A taxa de letalidade é a porcentagem dos que morreram após ter o caso confirmado.

Localizada no oeste do Amazonas, na fronteira com o Peru, a Terra  Indígena Vale do Javari teve seu processo de demarcação finalizado no  governo Fernando Henrique Cardoso, em 2001, e possui uma extensão territorial equivalente a quase dois estados do Rio de Janeiro (85,4 mil km²). É considerada a segunda maior demarcação depois da Terra  Yanomami (96, 6 mil km²), homologada em 1992, pelo ex-presidente Fernando Collor.

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